sábado, 22 de dezembro de 2012

CURIOSIDADES

Estima-se que o número de crianças envolvidas em trabalho infantil em todo o mundo (com idades entre os 5 e os 17 anos) seja de 218 milhões?

De acordo com o segundo Relatório Global sobre o trabalho infantil, da OIT, cujos dados reportam a 2004, das cerca de 317 milhões de crianças economicamente ativas, com idades entre os 5 e os 17 anos, 218 milhões podiam ser consideradas como crianças em situação de trabalho infantil. Destas, 126 milhões realizavam trabalhos perigosos.

Se considerarmos os números correspondentes ao escalão etário dos 5 aos 14 anos, são cerca de 191 milhões de crianças economicamente ativas, das quais 166 milhões em situação de trabalho infantil e destas 74 milhões desenvolviam trabalhos perigosos.

 
Em Portugal é possível um menor com idade inferior a 16 anos ser admitido a prestar trabalho?
A regra, em Portugal, é a de que só podem ser admitidos a prestar trabalho os menores que tenham completado 16 anos (idade mínima de admissão), tenham concluído a escolaridade obrigatória (9º ano) e disponham de capacidade física e psíquica adequada ao posto de trabalho.
Admitem-se, no entanto, exceções à idade mínima de admissão. Assim, um menor de 16 anos pode prestar trabalho desde que:

  • tenha concluído a escolaridade obrigatória (9º ano) e
  • esteja em causa a prestação de trabalhos leves.

Trabalhos leves consistem em tarefas simples e definidas que não exijam esforços físicos ou mentais suscetíveis de pôr em risco a integridade física, a segurança, a saúde, e o desenvolvimento físico, psíquico e moral do menor. Também não podem prejudicar a assiduidade escolar, a participação em programas de orientação ou formação e a capacidade para beneficiar da instrução ministrada.

 
A partir dos 16 anos de idade todo o trabalho é autorizado?

Existem atividades, processos e condições de trabalho proibidos a menores de 18 anos.
São proibidas ao menor as atividades consideradas perigosas ou desenvolvidas em locais perigosos (previstas nos artigos 116.º a 121.º da Lei n.º 35/2004, de 29 de Julho_ por força do art. 12º da Lei 7/2009), tais como os trabalhos que implicam a exposição a alguns agentes físicos, biológicos e químicos, os trabalhos que impliquem a condução ou operação de veículos de transporte, tratores, etc., trabalhos realizados no subsolo, trabalhos realizados em clubes noturnos e similares, entre outros.


 
Os menores com idade inferior a 16 anos podem participar em espetáculos e outras atividades?
  • Os menores podem participar em espetáculos e outras atividades de natureza cultural, artística ou publicitária, designadamente como ator, cantor, dançarino, figurante, músico, modelo ou manequim, incluindo os correspondentes ensaios.
  • Os menores só podem participar em espetáculos circenses desde que tenham pelo menos 12 anos de idade e se a sua atividade, incluindo os correspondentes ensaios, decorrer sob a vigilância de um dos progenitores, representante legal ou irmão maior.
  • A atividade do menor não pode envolver qualquer contacto com animais ferozes.
  • Existem restrições quanto ao número de horas de atividade em função da idade do menor.
  • A participação do menor em espetáculos e outras atividades de natureza cultural está ainda sujeita a autorização pela CPCJ (Comissão de Proteção de Crianças e Jovens) que avalia as condições de participação mediante a análise de um requerimento.

 
O envolvimento de crianças no tráfico de drogas é considerado trabalho infantil?
  • O envolvimento de crianças em atividades ilícitas, nomeadamente na produção e tráfico de drogas é uma das piores formas de trabalho infantil definidas pela Organização Internacional do Trabalho (OIT).
  • As piores formas de trabalho infantil, definidas no artigo 3º da Convenção nº.182 da OIT, abrangem ainda:
    • todas as formas de escravatura ou práticas semelhantes à escravatura, tais como a venda e tráfico de crianças, a servidão por dívidas e a servidão, bem como o trabalho forçado ou obrigatório, incluindo o recrutamento forçado ou obrigatório de crianças para serem utilizadas em conflitos armados;
    • a utilização, recrutamento ou oferta de crianças para a prostituição, produção de pornografia, ou espetáculos pornográficos; e
    • os trabalhos que, pela sua natureza ou pelas condições em que são exercidos, são suscetíveis de prejudicar a saúde, a segurança, ou moralidade das crianças, conhecidos como trabalhos perigosos.

 
Em Portugal, o número de crianças em situação de trabalho infantil ronda os 200 mil?
  • De acordo com os últimos dados oficiais, de 2001, que resultam de um estudo de quantificação e caracterização do fenómeno, do Ministério do Trabalho e Solidariedade que contou com o apoio da OIT, 48914 menores desempenhavam uma atividade económica, o que correspondia a uma taxa de 4,1% do total de menores dos 6 aos 15 anos de Portugal.
  • Dos menores com atividade económica apenas uma parte se encontrava em situação de trabalho infantil, ou seja, desenvolvia trabalhos que podem prejudicar a saúde, educação e o normal desenvolvimento das crianças.
  • O número de menores em situação de trabalho infantil, apurado com base nos dados de 2001, era de 28 228, correspondendo a uma taxa de 2,4% do total de crianças dos 6 aos 15 anos de idade .

 Em Portugal é na indústria, nomeadamente nas indústrias têxteis e do calçado, que se encontram mais menores a trabalhar?

Segundo os últimos dados oficiais, a agricultura é o sector que ocupa mais menores em Portugal (48.4% dos menores com atividade económica), em atividades que se encontram associadas ao trabalho familiar não remunerado.
                                           
Segue-se o comércio (13.7%) e só depois a indústria transformadora, como o terceiro sector com maior incidência de menores a trabalhar (12.4%). Na Indústria transformadora a mais representada é a indústria têxtil (3.8%), seguida da indústria alimentar e da indústria do couro e seus produtos (onde a maior parte dos menores que aí desenvolve a sua atividade se encontra a associada à indústria do calçado), ambas representando 2.6% do total de menores que trabalham.


 
Em Portugal trabalham mais rapazes que raparigas?

Segundo os últimos dados oficiais, a maior parte dos menores que desenvolve uma atividade económica são rapazes (68.3%).
                      
Existem diferenças na distribuição por género relativamente aos sectores onde os menores exercem as suas atividades, assim as raparigas estão em maioria nas atividades relacionadas com os sectores da restauração, comércio e indústria transformadora, enquanto que na agricultura e construção civil as atividades são maioritariamente desenvolvidas por rapazes.


 
Trabalho doméstico e trabalho domiciliário infantil são a mesma coisa?

Apesar de serem conceitos muitas vezes confundidos, trata-se de situações distintas:
                                      
O trabalho domiciliário infantil:

  • É um subtipo de trabalho infantil e refere-se a uma atividade económica realizada por menores no domicílio mas sob a responsabilidade de terceiros (empresa). Supõe um vínculo contratual (formal ou não), sendo normalmente remunerado segundo a quantidade e qualidade da peça executada.
  • Pode definir-se como trabalho realizado por menores, por conta de outrem, em contexto doméstico.


O trabalho doméstico:
  • É uma atividade não económica realizada por menores, no âmbito das relações familiares/decorrentes da vida familiar.
  • Trata-se de tarefas domésticas realizadas no seio do próprio agregado familiar como arrumar a casa, preparar refeições, tomar conta de irmãos mais novos, etc.
  • Estas atividades, se forem desenvolvidas em excesso, podem ser tão ou mais prejudiciais que as atividades em sentido económico.
  • Contrariamente ao que sucede no desempenho de atividades económicas, as raparigas são as mais penalizadas com este tipo de trabalho.


 Cabe apenas às entidades competentes denunciar as situações de trabalho infantil com as quais se depara no decorrer do seu trabalho?
Qualquer instituição, entidade ou mesmo um cidadão a título individual pode e deve denunciar uma situação de trabalho infantil com a qual se depare, mesmo anonimamente. Para comunicar uma situação de trabalho infantil ao PETI, basta aceder ao nosso site, ir a “comunicação de situação de trabalho infantil” preencher a ficha disponível para o efeito e enviá-la diretamente (on-line). Pode ainda contactar-nos através do correio eletrónico ou por fax.

domingo, 11 de novembro de 2012


Stop Child Labour 1
Save the Children India Employee of the Month

Distribuição do trabalho infantil

Trabalho infantil no Mundo

Concentração do Trabalho Infantil - GECTIPA (BRASIL)


Concentração do Trabalho Infantil de 1995 à 1999 (5 a 15 Anos)

GECTIPA

Patrocínio:

MTE - Ministério do Trabalho e Emprego
SIT - Secretaria de Inspeção do Trabalho
DEFIT - Departamento de Fiscalização do Trabalho
COPES - Coordenação de Projetos Especiais

Realização:

GECTIPA - Grupo de Combate ao Trabalho Infantil e Proteção ao trabalhador Adolescente
DRT - Delegacia Regional do Trabalho - MS

Apoio:

OIT - Organização Internacional do Trabalho, pela disponibilização do Livro "Crianças de Fibra" (fotos e Depoimentos)
Jornalista Patrícia Nascimento/MS, fotos de trabalho doméstico
Grupos Especiais de Combate ao Trabalho Infantil e Proteção ao Trabalhador Adolescente/MTE
Coordenação dos Programas PETI, PRONAGER, Agente Jovem e Bolsa Escola/MS
Ferramenta computacional de Apoio ao Combate Infantil/MTE/SIT/DEFIT (Auditor Fiscal do Trabalho Paulo Douglas Almeida de Moraes - DRT/MS)
SINAIT - Sindicato Nacional de Inspeção do Trabalho
AFITRA - Associação dos Auditores Fiscais do Trabalho - MS
DSST - Departamento de Segurança e Saúde do Trabalhador/MTE/SIT (Auditor Fiscal Médico do Trabalho Drº Antônio Carlos Ribeiro filho - DRT/MG

Alguns dados estatísticos em Portugal

Estes dados remetem apenas para o Continente.

Pode dizer-se que o trabalho infantil em Portugal é já uma realidade conhecida.
Uma vez reconhecida esta realidade, Portugal procurou conhece-la melhor, pesquisando a sua dimensão e as suas principais características, promovendo, assim, um levantamento rigoroso do número de crianças e jovens trabalhadores, recorrendo a parâmetros, indicadores e metodologias divulgados pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), através do IPEC/SIMPOC. Assim, em 1998 foi realizado um inquérito pelo Departamento de Estatística do Trabalho, Emprego e Formação Profissional (DETEFP) em colaboração com a OIT e o Instituto Nacional de Estatística.
Antes de iniciar o inquérito, organizações nacionais e internacionais divulgavam uma estimativa do número de crianças a trabalhar em Portugal, sendo esta de 200.000 crianças a trabalhar em Portugal. Este estudo veio demonstrar que a realidade estava bem longe dos números até então avançados: 43.077 menores tinham atividade económica. Destes, 34.064 eram familiares não remunerados. Do total de crianças com atividade económica, 78,1% frequentavam regularmente a escola, 35,3% dos inquiridos que declararam trabalhar tinham 15 anos, e 17,6% tinham 14 anos. Também o número de horas diárias de trabalho foi analisado, sendo a percentagem mais elevada relativa às crianças que trabalham de uma a três horas por dia (43,3%).
Três anos depois, ou seja, em 2001, este inquérito voltou a ser aplicado, revelando que o número de menores com atividade económica havia passado para os 46.717, dos quais 40.001 eram trabalhadores familiares não remunerados. Do total de crianças com atividade económica, 86,2% frequentavam regularmente a escola, 26,7% dos inquiridos que declararam trabalhar tinham 15 anos, e 18,5% tinham 14 anos. O número de horas de trabalho diário teria sido reduzido para a maior parte dos menores, verificando-se de 1998 para 2001, uma diminuição do número de horas que os menores trabalham por dia. Assim se entende o aumento de 14,4% do número de crianças que trabalham uma a três horas por dia.
Apesar deste ligeiro aumento do número de menores com atividade económica, verificou-se que as principais diferenças em 3 anos foram a significativa diminuição do número de menores a trabalhar por conta de outrem, a diminuição do número de horas de trabalho diário e o aumento da frequência escolar por parte das crianças trabalhadoras.